É difícil acordar… (II)

Aprendi que fazer a diferença é o que importa quando entrei na ordem Demolay. E ser um Demolay é algo que me traz muito orgulho, apesar de estar um pouco afastado nos últimos anos… Foi algo que me trouxe coisas excelentes, amigos, conhecimentos e desejos que vou carregar comigo para sempre.

Mas quando digo “fazer a diferença” não quero dizer que basta ser diferente. Não é simplesmente ser um estranho tosco na multidão, digo “fazer a diferença” buscando um significado mais amplo. Quero dizer que o mais importante é fazer algo que não seja diferente, mas fazer algo de uma forma diferente, de um jeito que ninguém pensou, ou de um jeito que todos conhecem mas não tem liberdade ou coragem pra fazer.

Sempre tentei fazer a diferença. Sempre tentei fazer as coisas de um modo diferente dos outros, e felizmente, muitas vezes consigo.

Ultimamente havia me esquecido do que era isso, do que era sentir-se diferente.

Como disse anteriormente, nessas últimas semanas revivi muitas lembranças das quais havia me esquecido… Relembrei meus medos, meus sonhos (que não existiam) e minhas idéias malucas de adolescente…

E junto com elas veio junto também uma vontade imensa de querer voltar. Voltar a pensar como criança, voltar a achar que posso fazer tudo. Porque apesar de não ser mais uma criança completa, ainda tenho muitas idéias daquela época, ainda quero fazer as mesmas bobeiras, ter as mesmas ilusões… Queria voltar a achar que posso fazer tudo. Na verdade, queria voltar a ter esperanças de que posso fazer tudo.

Já tive épocas em que pensei que matar 2/3 da humanidade fosse solução pra todos os problemas do mundo. Era maldade, mas uma maldade inocente. Logo depois com o falecimento de um grande amigo, percebi que o caminho não era muito bem por aí. Não é destruir a humanidade que vai salvá-la.

O problema é saber se a humanidade precisa de alguma salvação…

E é por isso que as vezes acordo, penso no futuro, tenho medo, e tento voltar a dormir…

É por isso que é difícil acordar…

Já parou pra pensar nisso? Em como será o nosso futuro?

Talvez sim, já parou e pensou que faculdade irá fazer, que profissão irá seguir. Já parou pra pensar em quem será sua esposa ou seu marido. Já parou pra pensar se vai ser rico ou não.

Mas já pensou em como será o nosso futuro?

Já pensou no que a sociedade brasileira irá virar? No que vai acontecer no resto do mundo?
Não é desperdício de tempo, é um daqueles famosos (pelo menos pra mim) exercícios de futurologia…

É bom pensar nisso, porquê nos faz voltar no tempo, e pensar no que devemos fazer. Uma vez uma professora de história me ensinou que é importante estudar o passado para compreender o presente e poder controlar nosso futuro. Quando ela me disse isso eu já havia aprendido que fazer a diferença era o importante, e, ao contrário de meus colegas que ignoraram o conhecimento, fiz o contrário. Passei a absorver tudo que podia com relação a história, geografia e qualquer outra coisa que tivesse relação com o passado. Passei não só a absorver, como a interligar os pedaços, formando uma grandiosa teia com histórias, fatos e pessoas. Não foi a toa que acertei 90% das questões de história e geografia dos 5 vestibulares que fiz.

Mas não aprendi tudo somente para usar no vestibular, já aprendi a importância de tudo isso, e ela está naquela frase que minha professora disse… Posso entender nossa situação atual, e prever o que vai acontecer no futuro (lógico que com uma imensa margem de erro, afinal, não sei de tudo e nunca vou conseguir aprender)…

Posso imaginar um mundo mais velho, sujo, poluido, com uma desigualdade gritante. Posso imaginar um mundo em que os ricos ficam num canto (limpo, despoluido e isolado), enquanto o resto dos bilhões de humanos vivem na miséria, enfrentando todo tipo de desgraças e problemas.

Mas, isso já não acontece???

Nunca consegui entender como as pessoas conseguem viver sabendo que outras passam fome, ou morrem por coisas simples e banais. Até hoje me revolto com isso, e sinto uma enorme dor por ter ficado impune e por ter banalizado as mesmas coisas que me revoltam. Talvez seja mais fácil para mim ignorar tudo que não vejo, ou que não convivo diretamente. Talvez não, com certeza para minha cabeça pequena e fútil é mais fácil ignorar que nesse exato momento tem uma criança africana morrendo de fome ou de AIDS. É mais fácil ignorar do que gastar meus preciosos (e bem alimentados) neurônios, e meus tecidos musculares (bem nutridos idem) para fazer alguma coisa e mudar essa realidade.

E como eu penso, a maioria pensa…

E é por isso que fica mais difícil acordar, e pensar em todas essas coisas…

Mas ao mesmo tempo que acho difícil pensar em todas essas coisas, vem a contrapartida… Fé, esperança e felicidade. Fé em qualquer coisa que eu possa me agarrar em momentos difíceis, esperança de que um dia vou ser a criança que pode mudar o mundo, e felicidade para enfrentar toda a tristeza que tentar tomar conta do meu coração…

E é isso ai, em menos de 4 horas escrevi mais do que em um ano de blog. =]

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